Empresas de Canábis nascem como cogumelos em Portugal

As condições privilegiadas de Portugal – bom clima, horas de exposição solar, terrenos baratos, mão de obra qualificada e a preços competitivos, além da clareza na legislação – estão a atrair dezenas de interessados em tornar o País na porta de entrada para o mercado europeu de canábis medicinal. No final de abril, a canadiana Tilray foi a primeira grande multinacional a cortar a fita, com a inauguração das instalações de Cantanhede. Mas já há outras empresas para cá da linha de partida, prontas a lançar raízes à terra num negócio que é de escala global. Artigo publicado na edição de maio de 2019 da revista EXAME



A meio caminho da movimentada estrada que divide um parque empresarial no concelho de Sintra, há uma nave industrial aparentemente igual a tantas outras. Notam-se o ruído das obras e a poeira no ar assim  que se entra no edifício. Do cimo do primeiro andar, desde a sala de reuniões envidraçada, é possível ver materiais de construção espalhados num armazém vazio nas traseiras. Em alguns meses, será ali que a Holigen, uma empresa criada em Malta, espera ter a funcionar as suas instalações de cultivo e de transformação de canábis medicinal em Portugal, num espaço com 900 metros quadrados, coberto.

“Estamos a gastar muito dinheiro. É difícil, muito difícil, desafiante. Mas estamos a avançar tão depressa quanto queremos”, explica à EXAME Pauric Duffy, o fundador da Holigen, dona da RPK Biopharma que, no início deste ano, se tornou a quarta empresa em Portugal a receber da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) a licença para o cultivo, importação e exportação de plantas de canábis para fins medicinais. É uma das cerca de 40 companhias que, em cerca de ano e meio, registaram na sua atividade económica alguma relação com o cultivo ou a transformação desta planta, nomeadamente para fins medicinais, segundo dados da Informa D&B. Em comparação, de 2014 a 2018 tinham sido criadas apenas dez empresas ligadas ao setor.

Ora se as plantações são de canábis, é já como cogumelos que estas empresas despontam em várias zonas do País. Pela mão de entidades canadianas, israelitas e norte-americanas, mas também britânicas ou alemãs, firmam os pés à entrada da Europa, seguindo os sucessivos movimentos de legalização que podem transformar, numa década, o Velho Continente no maior mercado do mundo para a canábis medicinal.