Maior plantação europeia de Cannabis medicinal fica em Portugal

Atualizado: Fev 17

A área que a Cannabis medicinal ocupa estende-se por estufas, viveiros, incubadoras de plantas e uma unidade de transformação. Atualmente, existem cerca de 45 mil pés da planta espalhados ao longo de nove hectares



A cannabis foi uma das primeiras plantas cultivadas pelo Homem. É a substância ilícita mais utilizada nos Estados Unidos da América e também uma das mais controversas. A cannabis deriva de certas cepas da planta Cannabis sativa, cujas flores e folhas contêm compostos químicos designados canabinoides. Já os canabinoides, quando ingeridos ou inalados, produzem efeitos psicotrópicos e sobrecarregam os níveis naturais de tetraidrocanabinol (ou THC) nos sistemas nervoso central e cardiovascular.

O THC diminui a quantidade de informação transmitida pelos neurotransmissores, resultando em efeitos psicoativos como falta de coordenação, perda de memória, alucinações e aumento de apetite. No entanto, cada vez mais pessoas utilizam a cannabis e os seus derivados para tratar patologias como a epilepsia e o cancro. Mas que surpresas pode esconder? Como pode afetar o corpo humano quando ingerida ao longo de uma vida? O que podemos descobrir sobre o nosso sistema neurológico a partir do seu consumo? A ciência avança a passos largos, mas ainda existem muitas questões por responder.


Cannabis medicinal: da proibição à regulamentação

Durante muito tempo, as plantas eram uma das poucas terapias disponíveis para a espécie humana. Devido aos seus efeitos psicoativos, a cannabis tem sido utilizada para fins medicinais há milhares de anos. Apesar desta substância se tornado mais acessível e amplamente utilizada para fins recreativos no século XX, o estudo das suas propriedades e do seu potencial clínico é recente.

No final da década de 60, o uso e posse de cannabis tornou-se ilegal em muitos países, devido ao debate em torno dos seus efeitos. Nesse contexto, os oponentes alegam que o consumo pode causar ataques cardíacos, diminuição do número de espermatozoides e retardamento do desenvolvimento cerebral, particularmente em adolescentes. Por outro lado, são apresentados os benefícios da Cannabis medicinal no tratamento de convulsões, alívio de dor crónica, insónias e prevenção de náuseas provenientes do tratamento de quimioterapia.


A plantação de Aljustrel

Foi na aldeia de Montes Velhos, situada no concelho de Aljustrel, que a plantação de cannabis para fins medicinais começou a ser instalada em 2019. Neste momento, já é a maior produção ao ar livre da Europa. A plantação faz parte de um projeto da empresa RPK BioPharma, subsidiária portuguesa do grupo Holigen – propriedade da sociedade canadiana Flowr Corporation.

A área que a Cannabis medicinal ocupa estende-se por estufas, viveiros, incubadoras de plantas e uma unidade de transformação. Atualmente, existem cerca de 45 mil pés da planta espalhados ao longo de nove hectares. A empresa estima que até à finalização do projeto haverá um investimento total de cerca de 45 milhões de euros e que esta localização terá uma produção anual de 500 toneladas.

A empresa possui também instalações em Sintra, onde desenvolve a maior parte do seu trabalho de I&D.


Um projeto pioneiro

O investimento da plantação de cannabis medicinal é pioneiro em Portugal e com um grande potencial de desenvolvimento e disseminação. O projeto, autorizado pelo Infarmed, foi anunciado publicamente pela Holigen em 2018 e obteve recentemente a certificação Good Manufacturing Practice (GMP), de acordo com as normas da União Europeia, para a sua fábrica em Sintra. Além disso, a certificação GMP permite à unidade fabril produzir e exportar produtos de Cannabis medicinal acabados – especificamente flores secas – de Portugal para mercados internacionais, de acordo com os regulamentos legais de Cannabis medicinal.

Com a produção a aumentar de forma exponencial, espera-se que em 2021 a plantação seja alargada a 40 hectares. A RPK BioPharma prevê criar 65 postos de trabalho, tendo em vista alcançar um total de 200 colaboradores quando a produção estiver em pleno funcionamento.


Com o aumento da sua aceitação, muitos países debatem a melhor forma de abordar e regular a utilização da substância.

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